Conheça a história da infecção de Resident Evil nos videogames.

O mundo antes de Resident Evil
Como este vírus surgiu

Capa do primeiro Resident EvilAntes de Resident Evil, alguns jogos já causavam arrepios nos jogadores. Um belo exemplo é Alone In The Dark, considerado por muitos como o pai do survival horror — gênero da franquia RE. Mas, uma das principais influências para a criação de Resident Evil foi Sweet Home, um jogo de terror lançado para o Nintendo 8-bits. Misturando elementos de RPG, o game continha um clima que, mesmo para época, era decentemente aterrorizante.

Ao visualizar Sweet Home, Shinji Mikami, um desenvolvedor de games que trabalhava na criação de jogos da Disney, chegou à conclusão que queria criar algo novo, um jogo realmente assustador. Contudo, as plataformas da época não permitiam que Mikami colocasse em prática sua idéia ousada.

Em 1994, o designer iniciou seu projeto, mas a plataforma de lançamento ainda não estava definida devido à inconsistência do mercado dos games. Somente em 1996 traços do game começaram a emergir. A mistura de planos de fundo pré-renderizados com personagens em três dimensões mostrava o poder de um novo console, o PlayStation. Tudo parecia estar decidido, o novato da Sony seria o videogame escolhido para abraçar a aventura aterrorizante de Shinji Mikami.

O jogo já se encontrava quase completo, e a equipe de desenvolvimento da Capcom havia crescido para 40 membros. Mas, Mikami ainda tinha alguns acertos a serem feitos, e a data de lançamento do game teve de ser adiada. Finalmente, em março de 1996, o terror chegava às lojas. Resident Evil não só foi um sucesso de vendas, alavancando significativamente o número de unidades vendidas do PlayStation, mas também foi muito bem recebido pela crítica especializada.

Afinal, não havia como não se surpreender com o game da Capcom. O clima era completamente único, e os recursos tecnológicos utilizados eram simplesmente de cair o queixo. Uma sacada incrível de Shinji, que logo se tornou um membro respeitado pela empresa. Resident Evil vendeu 2,7 milhões de cópias, considerando todas as suas versões, e ajudou a definir uma nova era para os consoles.

Sucesso garantido


A chegada do sucessor
Aprimorando o vírus

Sendo assim, nada mais óbvio que uma sequência. Mas a Capcom tratou de manter tudo guardado a sete chaves, e isso pode ter gerado certo azar para a desenvolvedora. Quando o primeiro jogo chegou às lojas, a empresa já estava com as mãos na massa e trabalhando duro na sequência do game, que supostamente seria lançada um ano após a versão original.

Mas diversos problemas assombraram a empresa. A mente convencida de Mikami novamente mostrou que sabia o que estava fazendo, e deixou Jill Valentine e Chris Redfield, protagonistas do primeiro jogo, de lado na sequência. Até aí, tudo bem, já que o choque de se deparar com zumbis não seria tão grande para os veteranos. Mikami queria apenas criar uma nova sensação de desespero.

Cravado na memória dos jogadores

No lugar dos dois policiais de elite entraram Leon S. Kennedy, um oficial comum da famosa Raccoon City, e Eliza Walker, uma motociclista de cabelos loiros. Shinji resolveu dar mais ênfase a história, criando um ambiente mais complexo e maior. O desenvolvedor também queria se distanciar a da mansão aterrorizante do primeiro jogo. Em vez deste recinto, os novos protagonistas iriam enfrentar as criaturas em um local real. Shinji escolheu então uma estação policial como a peça central, e as áreas próximas como secundárias.

Uma surpresa desagradável

Conforme a data de lançamento ia se aproximando, o público se tornava inquieto. Todos estavam ansiosos pela chegada do game, com exceção da equipe da Capcom. É isso mesmo, Mikami simplesmente não estava contente com o resultado em que o game se encontrava. Mesmo após diversos ajustes, Resident Evil 2 simplesmente não era bom o suficiente para Mikami.

Claire ficou bem diferente na versão finalUm dos motivos que deixaram o desenvolvedor descontente foi os cenários. Segundo Mikami, eles eram repetitivos e sem graça, e a equipe teve de simplesmente refazer todos os ambientes do game. Nada legal. Faltavam apenas dois meses para o lançamento, e Mikami decidiu recomeçar do zero um projeto que havia tomado um ano de trabalho da equipe de desenvolvimento da Capcom. Mas os executivos confiavam no desenvolvedor, e o jogo foi literalmente reiniciado.

Um dos únicos elementos que permaneceu intacto foi a engine. Até mesmo alguns detalhes que não precisavam ser refeitos foram alterados, pois a proposta era começar do zero. Elza Walker também desapareceu, ou melhor, se transformou. A loira acabou se tornando Clair Redfield, a irmã de Chris, que aparece no primeiro game. Leon também foi redesenhado, e ganhou uma aparência mais jovial.

A equipe também deixou de lado o modernismo que estava presente na versão beta do game. No lugar dos ambientes ultramodernos, a Capcom tratou de inserir leves toques da arquitetura ocidental. Um fato curioso é que a equipe contratou um fotógrafo para registrar as marcas de um prédio com estas características situado em Osaka, que acabou sendo pego pela invasão. Felizmente, as fotos foram preservadas.

Finalmente, em 1998 a tão aguardada continuação chegava às lojas. A crítica, novamente, recebeu o game de braços abertos, destacando a incrível jogabilidade e os gráficos do game. Além de sua versão para PlayStation, o jogo também chegou ao Nintendo 64, silenciado as críticas sobre o potência do console da Nintendo.

Investindo na nova geração
Nemesis e o código “Veronica”

Depois disso, a Capcom abriu os olhos e começou a explorar a franquia — algo que a empresa faz como ninguém. Diversos títulos foram anunciados, e as plataformas que não haviam recebido os sanguinários zumbis acabaram sendo infectadas. Mas um novo gigante chegava ao mercado, e a empresa iniciava uma nova aposta. Começavam a “hype” sobre o novo console da Sega, o Dreamcast.

A empresa imediatamente decidiu ampliar seus horizontes, e começou a deixar os fãs intrigados com os primeiros anúncios de Resident Evil: Code Veronica. Mas, antes disso, a Capcom também havia mencionado que estava desenvolvendo Resident Evil 3, mas a empolgação foi tão grande com o novo brinquedo da Sega que o game quase foi deixado de lado.

Um titã memorávelEntretanto, Resident Evil 3 viu a luz do dia, ou, melhor dizendo, o caos da cidade de Raccoon. A protagonista era ninguém menos que Jill Valentine, que também deu as caras no primeiro jogo. Jill utilizava toda sua experiência no game, e isto podem ser notadas facilmente devido às habilidades como desviar e virar rapidamente. Mas, a heroína realmente precisava ser ágil, mas não somente por causa dos zumbis, mas por uma criatura em especial: Nemesis.

A gigantesca criatura, que era praticamente invencível, foi o destaque do game. Nemesis persegue Jill pelo jogo todo, o que torna o game ainda mais desafiador e caótico. A aterrorizante criação da Umbrella era a prova de que Resident Evil, e Shinji Mikami, estavam longe de seu fim. Novamente, a crítica foi abalada e o sucesso rendeu mais de 3,5 milhões de cópias à Capcom.

Quando RE3 chegou às prateleiras, o desenvolvimento de Resident Evil: Code Veronica já estava quase completo — haja coração para tantos Resident Evil. O projeto ousado da empresa visava criar um jogo completamente diferente, abusando dos recursos tecnológicos. Tudo seria em três dimensões, nada de ambientes pré-renderizadas como acontecia nos jogos predecessores.

Contudo, a aventura de Claire e Chris Redfield só chegou às lojas no ano 2000. Os desejos da empresa era que Code Veronica chegasse às lojas junto com Resident Evil 3, e com o lançamento do Dreamcast nos Estados Unidos. Mas chegar atrasado acabou fazendo com que os jogadores dessem uma atenção individual e especial ao título. Novamente, RE foi glorificado pela crítica, e Code Veronica é julgado por muitos como o melhor jogo da série até o momento.

A primeira mudança foi nos ambientes

Infelizmente, a vida da pequena maravilha da Sega não foi das melhores e isso acabou influenciando nas vendas de Code Veronica. Mesmo sendo um dos jogos mais vendidos do Dreamcast, a Capcom sabia que o futuro não se encontrava nessa plataforma. A solução? Um remake estendido para a plataforma mais vendida de todos os tempos, o PlayStation 2.

A primeira falha da Umbrella
Série Gun Survivor

Mas nem tudo é um mar de rosas. Muitos pensavam que o game teria um futuro brilhante no console da Sony. Contudo, a primeira tentativa de trazer a franquia para a série acabou se distanciando demasiadamente da fórmula original do game. Mas o projeto não foi pro lixo e se tornou o que conhecemos atualmente como Devil May Cry. A Capcom ainda estava à procura do mágico número

quatro.

Evite essa sérieAs demais tentativas foram frustrantes. Como boa parte da crítica já dizia que Resident Evil precisava tomar um novo rumo, a Mikami passou a se preocupar com o futuro da série. Infelizmente, o designer optou por um caminho arriscado: os jogos “on rail” — gênero no qual os jogadores devem somente atirar, e a movimentação ocorre automaticamente (House of the Dead) —

Chegam então os games da série Resident Evil: Survivor. Dois jogos foram lançados sob este título, mas nenhum deles atingiu um sucesso equivalente aos predecessores. Os jogadores se decepcionaram com a jogabilidade dos games, que consiste em controlar um cursor, que simula uma mira, para disparar nos oponentes. Por incrível que pareça, Resident Evil falhou.

Depois disso, a empresa resolveu investir nas partidas online. Com a chegada de Resident Evil Outbreak, lançado no final de 2003 no Japão e poucos meses depois nos Estados Unidos, o game voltou às suas origens, mesmo que com uma jogabilidade para multijogadores. Mas, nada tão impactante quanto os primeiros jogos da série.

A revitalização definitiva
Tudo ou nada

O sucesso só retornou quando a Capcom decidiu infectar o GameCube. A empresa confirmou uma sequência verdadeira para o cubo da Nintendo: Resident Evil 4 finalmente dava seus sinais de vida. Contudo, os problemas voltaram a aparecer. Resident Evil 4 passou por diversos formatos — confira o vídeo da primeira versão abaixo — até atingir o ideal, pois era o jogo mais importante para a franquia. O game obrigatoriamente teria de revolucionar a série, mas isso era um passo arriscado.

A versão demonstrada no vídeo introduz Leon S. Kennedy como personagem principal, em um ambiente completamente distinto dos jogos anteriores. Mas Mikami voltou a desfrutar de uma experiência familiar. Para o designer, as coisas não estavam no rumo certo, e o projeto foi descartado. A equipe então resolveu canalizar todo o clima de desespero gerado pelas perseguições de Resident Evil 3, e ainda investiu em inimigos diferentes. Agora os zumbis não seriam mais os oponentes principais, afinal, a mudança preferia ser feita.

No lugar dos mortos vivos, estavam humanos infectados, mas capazes de carregar ferramentas e até mesmo conversar. Além disso, agora tudo se passaria em plena luz do dia, algo inédito para a franquia. Os espaços também foram alterados, e os ambientes grandes roubavam a cena. Nascia então o Resident Evil 4 que conhecemos atualmente.

Após seu anúncio oficial, o game gerou muita controvérsia. Muitos fãs não concordavam com a mudança, enquanto outros simplesmente adoraram a proposta de revitalização da franquia. Em janeiro de 2005, o game chega ao alcance do público. A reação não foi apenas positiva, foi mais que isso. A crítica simplesmente foi à loucura com o game, que recebeu notas à beira da perfeição ao redor de todo o mundo. Posteriormente, o Resident Evil 4 também chegaria ao PlayStation 2, PC e Nintendo Wii.

A versão para o console casual da Nintendo recebeu algumas alterações, e é considerada por muitos como um dos melhores games da plataforma. O Wii ainda receberia The Umbrella Chronicles, mas é melhor não comentarmos sobre este game aqui (confira a análise).

A revitalização definitivamente funcionou. Mesmo deixando boa parte dos elementos tradicionais para trás, RE4 conseguiu causar uma sensação completamente aterrorizante. O mais novo jogo da franquia também está seguindo seus passos, mas aproveitando-se de todas as possibilidades da nova geração.

Resident Evil 4 acertou na fórmula


O presente e o futuro
O que temos e o que teremos?

Sem delongas, a Capcom foi direto ao assunto e deixou os fãs extasiados com o anúncio do fabuloso Resident Evil 5. Basicamente, a trama do game visa conectar alguns fatos da história, ligando a Umbrella à mitologia das plagas que infectaram os camponeses. Além disso, a proposta ainda é similar ao seu antecessor, aprimorando apenas algumas arestas da fórmula anterior.

Não há dúvidas que Resident Evil é uma das maiores franquias do universo dos videogames. Mesmo sofrendo diversas mutações, a série continua aterrorizando os jogadores em praticamente todas as plataformas. E ainda há muito sangue para ser escorrido: a Capcom anunciou um novo game para Wii, The Darkside Chronicles, e já deixou escapar alguns detalhes sobre a próxima sequência verdadeira.

Uma criação que sobrevive ao tempo e se adapta à praticamente qualquer ambiente. Segundo rumores, a próxima iteração deve retornar às origens, e ainda trará novidades revolucionárias. Mais uma ousadia da Capcom, que nos faz lutar até o fim para sobreviver e contemplar o terror desta infecção.

O futuro é um mistério


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por Spyke Postado em +News+

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